15ª Expoepi será marcada pela alimentação saudável

jun 21, 2017 by bruno in  Sem categoria

A promoção da saúde sempre é um dos principais temas nos debates da Mostra Nacional de Experiências Bem-Sucedidas em Epidemiologia, Prevenção e Controle de Doenças (Expoepi). Na edição de 2017, no entanto, o assunto também recebeu destaque na escolha das refeições que serão servidas durante o evento. A 15ª Expoepi será marcada pela alimentação saudável, que privilegia comidas in natura ou minimamente processadas e preparações culinárias que contenham os diversos grupos alimentares, acompanhadas de sucos naturais. O objetivo da iniciativa é proporcionar bem-estar e qualidade de vida para os participantes.

Fortalecer as ações de promoção à saúde e prevenção de doenças crônicas não transmissíveis, como hipertensão, diabetes e obesidade, é uma das prioridades do Ministério da Saúde. A seleção do cardápio está de acordo com a Portaria nº 1.274, de 7 de julho de 2016, que apresenta diretrizes sobre alimentação adequada e saudável nos ambientes de trabalho. Também está em sintonia com “Guia para a elaboração de refeições saudáveis em eventos”, publicação lançada no ano passado pelo Ministério da Saúde e pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome.

Saúde lança Plano Nacional pelo fim da tuberculose na Expoepi

jun 29, 2017

Documento traça estratégias para acabar com a doença no Brasil até 2035. Nos últimos 10 anos, a incidência de casos no país caiu 20%

O Ministério da Saúde lançou, nesta quinta-feira (29), durante a 15ª Edição da Mostra Nacional de Experiências Bem-Sucedidas em Epidemiologia, Prevenção e Controle de Doenças (Expoepi),o Plano Nacional pelo Fim da Tuberculose. O plano ratifica o compromisso com a Organização Mundial da Saúde (OMS) de reduzir a incidência da doença na população mundial, que hoje é de 33,7 casos para cada 100 mil habitantes. A meta é chegar a menos de 10 casos por 100 mil habitantes até o ano de 2035. O Brasil também assume o compromisso de reduzir o coeficiente de mortalidade para menos de 1 óbito por 100 mil habitantes.

O documento traça as estratégias para acabar com a doença como problema de saúde pública no país dentro deste prazo e define os indicadores prioritários que devem ser utilizados para o monitoramento das ações empregadas por estados e municípios. Entre eles, a redução do coeficiente de abandono de tratamento e melhoras no percentual de cura da doença. Os indicadores operacionais, para o monitoramento do controle da tuberculose, refletem o desempenho dos serviços de saúde na qualidade do cuidado à pessoa com a doença.

“Esse plano foi elaborado com o objetivo de subsidiar os coordenadores dos programas locais no cumprimento das metas que estão em consonância com o plano da OMS. O documento está alinhado com as políticas do SUS e é um grande avanço para mudar os paradigmas do Programa Nacional de Controle da Tuberculose”, destacou a coordenadora do Programa Nacional de combate à tuberculose, Denise Arakaki, nesta quinta-feira, durante o seu lançamento.

O Plano Nacional está baseado em três pilares. O primeiro se refere à prevenção e cuidado integrado centrado no paciente, determinando melhorias no diagnóstico precoce, tratamento adequado e intensificação da prevenção. O segundo eixo é sobre políticas arrojadas e sistema de apoio, estabelecendo o fortalecimento da participação da sociedade civil nas estratégias de enfrentamento e a melhoria dos sistemas informatizados de registro, entre outros. O último pilar trata da intensificação da pesquisa e inovação, com a proposta de parcerias para realização de pesquisas públicas e incorporação de iniciativas inovadoras.

ESTRATÉGIAS PRIORITÁRIAS – Outro aspecto importante do Plano Nacional é a divisão dos municípios brasileiros em dois grupos e oito subgrupos, para que seja possível direcionar, mais objetivamente, as estratégias prioritárias a serem trabalhadas nos próximos anos, contemplando as diferenças locais de todo o país. Essa divisão foi realizada a partir dos indicadores socioeconômicos das cidades, associados aos índices de tuberculose. “É um desafio para o Brasil a elevada disparidade socioeconômica e operacional dos municípios. A definição dos grupos deve apoiar os coordenadores de programas na compreensão da realidade local e na elaboração de planos de trabalho, além da otimização dos recursos disponíveis”, explicou Denise. Segundo ela, o apoio de outros serviços – não específicos da área da saúde e da sociedade civil organizada – é de fundamental importância para a redução dos casos de tuberculose.

As ações colaborativas para as pessoas com tuberculose associada ao HIV também são destaque no plano nacional, uma vez que a doença é uma das principais causas de óbitos em pacientes com HIV. Entre as estratégias que devem ser fortalecidas estão a testagem de HIV para todas as pessoas diagnosticadas com tuberculose, o início do tratamento para todos os resultados positivos, entre outros, além da criação de grupos de trabalho para planejar outras ações em conjunto. Para o monitoramento do Plano Nacional, foram selecionados alguns indicadores relacionados à detecção, ao diagnóstico, à coinfecção tuberculose-HIV, ao desfecho e aos casos de tuberculose drogarresistente. Em 2015, em todo o país, 6,8 mil pessoas vivendo com HIV desenvolveram tuberculose.

CASOS – O Brasil conseguiu atingir as metas dos Objetivos do Milênio (ODM) de combate à tuberculose com três anos de antecedência. Em 2015, aderiu ao compromisso global de redução de 95% dos óbitos e 90% do coeficiente de incidência da doença até 2035.

Em 2016, foram registrados 69,5 mil casos novos de tuberculose no Brasil. No período de 2007 a 2016, o coeficiente de incidência da doença apresentou uma variação média anual de 1,2%, passando de 37,9/100 mil habitantes, em 2007, para 33,7/100 mil habitantes em 2016. Os maiores coeficientes de incidências de tuberculose estão nos estados do Amazonas e Rio de Janeiro, com 68,2 e 63,8 casos novos por 100 mil habitantes. Já os estados do Tocantins e Distrito Federal – com 11,0 e 11,2 casos novos por 100 mil habitantes, respectivamente – são os que estão com os menores coeficientes de incidência no ano de 2016.

O coeficiente de mortalidade por tuberculose apresentou redução de 11,5%, passando de 2,6/100 mil habitantes, em 2006, para 2,3/100 mil habitantes em 2015. O Brasil registrou 4,6 mil óbitos por tuberculose em 2015. Os estados do Rio de Janeiro (5,0/100 mil habitantes) e Pernambuco (4,5/100 mil habitantes) foram os estados com maior coeficiente de mortalidade do Brasil no ano de 2015. O Brasil registrou 4,6 mil óbitos por tuberculose em 2015. No mundo, no mesmo ano, a tuberculose foi a doença infecciosa que mais causou mortes.

O principal sintoma da tuberculose é a tosse por mais de três semanas, com ou sem catarro. Qualquer pessoa com esse sintoma deve procurar uma unidade de saúde para fazer o diagnóstico. São mais vulneráveis à doença as populações indígenas; as populações privada de liberdade, os que vivem em situação de rua – estes devido à dificuldade de acesso aos serviços de saúde e às condições específicas de vida -; além das pessoas vivendo com o HIV. Dentre as pessoas com diagnóstico confirmado de tuberculose, 9,4% apresentaram coinfecção por HIV em 2016.

CAMPANHA – Para estimular a adesão ao tratamento da doença e destacar a importância do diagnóstico da tuberculose, foi realizada em março deste ano campanha publicitária com o slogan “Todos juntos contra a tuberculose”, com foco voltado para a realização do tratamento durante o período mínimo, que é de seis meses de duração.

Desafios e perspectivas para manutenção do cenário positivo no controle da malária

jun 30, 2017

 

A 15ª edição da Mostra Nacional de Experiências Bem-Sucedidas em Epidemiologia, Prevenção e Controle de Doenças (Expoepi) seguiu a todo vapor nesta quinta-feira (29) com novas oficinas, painéis e palestras relevantes na área da saúde. Em um desses painéis, coordenado por Dalcy de Oliveira Albuquerque, da Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS) do Ministério da Saúde, foi abordada a temática da malária, apresentando novas perspectivas e desafios para a eliminação da mesma, assim como as estratégias para o controle e detecção de surtos no Brasil.

Em geral, os objetivos dos programas de malária são identificar e tratar oportunamente os casos para interromper a transmissão, impedir a reintrodução em municípios sem ocorrência e evitar a gravidade e a letalidade da doença.

De acordo com um dos palestrantes, Carlos Frederico Campelo de Albuquerque e Melo, a intenção direta é que as pessoas não contraiam e não morram em decorrência da malária.  Afirmou, ainda, que os critérios foram simplificados, e isso contribui com os diagnósticos, que agora são mais simples.

Existem princípios básicos para fortalecer o controle da endemia: a importância da vigilância, monitoramento e avaliação; a equidade no acesso aos serviços, especialmente nas populações mais vulneráveis; e a inovação de ferramentas e processos de implementação. A Estratégia Técnica Global de Malária, que está citada no “Plano de Ação para a Eliminação da Malária”, segue cinco linhas de ação:

– Acesso universal de intervenção para controle integrado dos vetores e o diagnóstico de tratamento;

– Fortalecimento da vigilância;

– Fortalecimento dos sistemas de saúde e seguimento das investigações operativas;

– Iniciativas estratégicas de comunicação, alianças e colaborações; e

– Esforços centralizados para facilitar a eliminação da Malária e prevenir a reintrodução.

Atualmente, a doença no Brasil predomina nas áreas amazônicas. Em 2016, houve uma redução de 10% dos casos, em comparação com 2015. Mesmo com esses dados positivos, é necessário manter o assunto em pauta. A eliminação da malária não é fácil, pois é necessário levar em consideração fatores sociais, econômicos, climáticos e ambientais relevantes. Para o palestrante Cassio Roberto Leonel Peterka, da SVS, não adianta dizer como e o que fazer, o importante é trabalhar para que cada local possa desenvolver seus meios de controle. A eliminação sustentável de uma endemia precisa da construção de serviços de epidemiologia “enraizados” na comunidade.

Por fim, o caminho a ser seguido é manter o compromisso político, a alta qualidade de detecção, a realização de controle vetorial também fora do domicílio e pesquisas. Cada foco de malária deve ser investigado para determinar sua extensão e os fatores condicionantes para a transmissão local. Essas respostas favorecem o diagnostico rápido e o tratamento adequado dos casos. Além disso, a avaliação e o monitoramento promovidos pela vigilância entomológica contribuem para a resposta e a prevenção da doença.

Oficina promove debate sobre carga global de doença

jun 27, 2017

Novas estimativas e possibilidades de estabelecer um planejamento eficaz em saúde. Esse é o principal objetivo da oficina de trabalho sobre o “Estudo da Carga Global de Doenças – GDB Brasil 2015: Avanços e Perspectivas” realizada nesta terça-feira (27), no primeiro dia da 15ª Expoepi, em Brasília. Durante o encontro, que conta com 130 inscritos, estão sendo apresentados a metodologia de cargas de doenças, alguns dos resultados do estudo da carga de doença no Brasil e o funcionamento da Rede GDB – a ferramenta é uma parceria do Ministério da Saúde e universidades brasileiras com o Instituto de Saúde e Métrica da Universidade de Washington (EUA).

Segundo a coordenadora da oficina e professora da UERJ, Fátima Marinho, a Rede é composta por pesquisadores de universidades, mas adianta que esse encontro marca o início do trabalho de ampliação da ferramenta para secretarias estaduais e municipais de Saúde. “O uso da Rede marca um momento novo em termos de análise de situação da carga global de doenças no país. A ferramenta serve para conhecer a situação e mudar um pouco o alvo, focalizando mais a perda da saúde, valorizando mais essa perda, para se ter isso como horizonte, ao invés de ficar trabalhando apenas para prevenção da morte”, disse Marinho ao salientar que é fundamental a participação de todos para aprimorar a Rede.

Para Otaliba Libânio, professor da UFGO, a ferramenta é de grande importância para o SUS. “ A Rede permite, por meio de uma metodologia internacional, comparar o Brasil com todos os outros 180 países do mundo, bem como comparar cada um dos nossos estados. São uma série de indicadores que são fundamentais para a gente orientar a tomada de decisão no SUS”, realçou ao comentar que espera que a metodologia seja utilizada de forma extensa na saúde pública.

“É fundamental que todos os estados se apropriem e consigam analisar a situação de Saúde da sua população com base nesse novo método também e comparando com os métodos que já são usados convencionalmente, que são as taxas produzidas pelo nosso sistema de informação, de mortalidade e internação hospitalar”, comentou a palestrante Deborah Malta, professora da UFMG, ao afirmar que a ferramenta permite o uso desses dados no planejamento local.

Ao fim da oficina será lançado e entregue aos participantes o suplemento temático da Revista Brasileira de Epidemiologia com análises da carga de doenças por estados.