As conquistas e desafios no enfrentamento ao HIV/aids no Brasil

jun 30, 2017 by bruno in  Sem categoria

“HIV/aids no Brasil: avanços, desafios e novas abordagens” foi tema do painel 15 na sexta-feira (30), último dia da 15ª Expoepi, realizada desde a terça-feira (27) em Brasília. Sob a coordenação da diretora do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids – Unaids Brasil, Georgiana Braga-Orillard, o painel contou com as apresentações da diretora do Departamento de Vigilância, Prevenção e Controle das IST, do HIV/Aids e das Hepatites Virais (DIAHV), Adele Benzaken; de Jorge Beloqui, da Associação Brasileira Interdisciplinar de Aids (Abia); de Tatianna de Alencar da Área de Tratamento do DIAHV; e de Juliane Costa Oliveira, da Secretaria Municipal de Saúde de Curitiba.

Segundo Georgiana Orillard, apesar dos avanços nas ações de prevenção e tratamento do HIV/aids nos últimos anos, o Brasil não sabe contar a sua história de sucesso no setor. “Nosso país precisa divulgar que está conseguindo bons resultados ao trazer trabalhos de iniciação científica por meio do Sistema Único de Saúde”, observou. “Ainda há muitos desafios, mas muitas conquistas foram alcançadas, como a testagem rápida e as ações de prevenção como a PEP e a PrEP”, acrescentou.

Adele Benzaken apresentou o panorama geral do HIV/aids no Brasil, a evolução da testagem regular do HIV, a implantação da PEP e da PrEP como medidas de prevenção, as campanhas e ações junto ao público e a divulgação do HepAids 2017, a ser realizado em setembro, em Curitiba. “A missão do nosso departamento é formular e fomentar políticas públicas relacionadas aos agravos de nossa competência, dentro dos princípios do SUS, destacando fundamentalmente os direitos humanos”, afirmou. A diretora do DIAHV reforçou a preocupação quanto à votação do Projeto de Lei n° 198, que torna crime hediondo a transmissão intencional do vírus da aids. “Todos nós temos que dizer não a essa proposta, pois ela pode afastar as pessoas da testagem e do tratamento”.

Para Jorge Beloqui, a informação à população e às pessoas vivendo com HIV/aids é um dos fatores primordiais nos desafios a serem enfrentados no contexto do vírus e da doença. “A informação precisa preencher a lacuna muitas vezes deixada pelo profissional de saúde; é necessário permitir o acesso às informações sobre testes e sobre a doença. Por exemplo, ao consultar o ginecologista, a mulher que tem vida sexual ativa tem que ser testada para prevenir a sífilis”, disse.

Tatianna de Alencar participou com o tema “Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) como medida de prevenção ao HIV” e apresentou dados de mais essa ação de Prevenção Combinada. A PrEP consiste no uso preventivo dos medicamentos antirretrovirais tenofovir + entricitabina (TDF/FTC) antes da exposição ao vírus, por pessoas soronegativas para o HIV, a fim de reduzir o risco de adquirir a infecção. É indicada para as populações sob maior risco de infecção pelo HIV: casais sorodiferentes (quando um dos parceiros vive com o vírus e o outro não), homens que fazem sexo com homens, gays, pessoas trans e profissionais do sexo.

Sua implementação no SUS ocorrerá de forma gradual e estima-se a necessidade de cerca de 7.000 profilaxias para o primeiro ano de oferta nacional. Inicialmente, serão atendidas 12 cidades: Manaus, Fortaleza, Recife, Salvador, Brasília, Belo Horizonte, Ribeirão Preto, São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba, Florianópolis e Porto Alegre.

Por fim, Juliane Oliveira expôs os resultados do projeto “A Hora é Agora”, lançado em Curitiba em novembro de 2014, com testagem rápida e gratuita anti-HIV entre jovens gays e outros HSH. O projeto também faz uso de outras abordagens inovadoras junto à população-chave, tais como testagem rápida móvel em trailers equipados com laboratórios. Em abril de 2015, o projeto foi incrementado com a implantação de um aplicativo em que a pessoa pode solicitar o envio do kit de teste rápido para o endereço de sua preferência. Até abril de 2017, foram realizados 7.678 testes rápidos, sendo 3.096 entre pessoas pertencentes às populações-chave. “Os resultados, que demonstraram a aceitação do público e a revelação de que indicariam a testagem a outras pessoas, nos estimulam a continuar com o projeto”, afirmou.

NÚMEROS – Segundo o Boletim Epidemiológico HIV/Aids 2016, o Brasil apresenta uma média de 40 mil novos casos por ano. Até maio de 2017, 511 mil pessoas estão em tratamento. Outras 332 mil pessoas com HIV/aids não se submeteram ao tratamento e 112 mil indivíduos não sabem que estão infectados.

Entre 2012 e 2016, o Ministério da Saúde já distribuiu 2,5 bilhões de preservativos masculinos, 53 milhões de camisinhas femininas e 118 milhões de gel lubrificante. Em 2016, foram realizados 7,3 milhões de testes rápidos em todo o país. Até junho de 2017, mais de 34 mil pessoas vivendo com HIV/aids fazem uso do medicamento dolutegravir, implementado na primeira linha de tratamento desde setembro de 2016.

Desafios e perspectivas para manutenção do cenário positivo no controle da malária

jun 30, 2017

 

A 15ª edição da Mostra Nacional de Experiências Bem-Sucedidas em Epidemiologia, Prevenção e Controle de Doenças (Expoepi) seguiu a todo vapor nesta quinta-feira (29) com novas oficinas, painéis e palestras relevantes na área da saúde. Em um desses painéis, coordenado por Dalcy de Oliveira Albuquerque, da Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS) do Ministério da Saúde, foi abordada a temática da malária, apresentando novas perspectivas e desafios para a eliminação da mesma, assim como as estratégias para o controle e detecção de surtos no Brasil.

Em geral, os objetivos dos programas de malária são identificar e tratar oportunamente os casos para interromper a transmissão, impedir a reintrodução em municípios sem ocorrência e evitar a gravidade e a letalidade da doença.

De acordo com um dos palestrantes, Carlos Frederico Campelo de Albuquerque e Melo, a intenção direta é que as pessoas não contraiam e não morram em decorrência da malária.  Afirmou, ainda, que os critérios foram simplificados, e isso contribui com os diagnósticos, que agora são mais simples.

Existem princípios básicos para fortalecer o controle da endemia: a importância da vigilância, monitoramento e avaliação; a equidade no acesso aos serviços, especialmente nas populações mais vulneráveis; e a inovação de ferramentas e processos de implementação. A Estratégia Técnica Global de Malária, que está citada no “Plano de Ação para a Eliminação da Malária”, segue cinco linhas de ação:

– Acesso universal de intervenção para controle integrado dos vetores e o diagnóstico de tratamento;

– Fortalecimento da vigilância;

– Fortalecimento dos sistemas de saúde e seguimento das investigações operativas;

– Iniciativas estratégicas de comunicação, alianças e colaborações; e

– Esforços centralizados para facilitar a eliminação da Malária e prevenir a reintrodução.

Atualmente, a doença no Brasil predomina nas áreas amazônicas. Em 2016, houve uma redução de 10% dos casos, em comparação com 2015. Mesmo com esses dados positivos, é necessário manter o assunto em pauta. A eliminação da malária não é fácil, pois é necessário levar em consideração fatores sociais, econômicos, climáticos e ambientais relevantes. Para o palestrante Cassio Roberto Leonel Peterka, da SVS, não adianta dizer como e o que fazer, o importante é trabalhar para que cada local possa desenvolver seus meios de controle. A eliminação sustentável de uma endemia precisa da construção de serviços de epidemiologia “enraizados” na comunidade.

Por fim, o caminho a ser seguido é manter o compromisso político, a alta qualidade de detecção, a realização de controle vetorial também fora do domicílio e pesquisas. Cada foco de malária deve ser investigado para determinar sua extensão e os fatores condicionantes para a transmissão local. Essas respostas favorecem o diagnostico rápido e o tratamento adequado dos casos. Além disso, a avaliação e o monitoramento promovidos pela vigilância entomológica contribuem para a resposta e a prevenção da doença.

Personalidades na Expoepi

jun 27, 2017

Adeilson Cavalcante – Secretário da SVS – Estou muito feliz em participar da organização de mais uma edição da Expoepi, um evento consagrado na comunidade científica. É uma honra receber colegas do setor saúde de todo o Brasil. Desejo que todos aproveitem ao máximo o evento, adquiram novos conhecimentos e levem para suas cidades uma boa recordação da acolhida que tiveram em Brasília.

 


Otaliba Libânio/UFGO: Estava sentindo falta, após dois anos sem o evento. Acredito que em termos de vigilância no Brasil é o principal evento que existe. E a possibilidade de troca de novos conhecimentos que estão sendo produzidos.

 

 


Deborah Malta/UFMG:
 A Expoepi é a possibilidade do encontro com estados, municípios e academia para a gente aprender coisas novas, saber o que está ocorrendo na epidemiologia dos serviços. Para mim é sempre um grande prazer participar da Expoepi, o evento se renova a cada edição.

 

 


João Paulo Toledo/ Devit/SVS
 – Essa é a 15ª Expoepi, a última foi em 2015, e a expectativa é uma boa troca de experiências entre os gestores, profissionais de saúde e as comunidades de práticas, especialmente nos temas de relevância de vigilância em saúde pública, como: vacinação, arboviroses, zoonoses, febre amarela e vigilâncias ambiental e de saúde do trabalhador.

 


Carla Domingues –  Coordenadora do PNI/SVS/MS
 – Na 15ª Expoepi o Programa Nacional de Imunizações está com uma oficina para discutir os avanços do PNI e as estratégias de vacinação da população vulnerável. A importância dessa oficina é darmos a oportunidade para gestores, municipais e estaduais, identificarem os grupos que estão tendo maior ou menor cobertura vacinal e principalmente pensar em estratégias para se buscar essa população. Então com este um espaço dentro da Expoepi, podemos avaliar todas as ações de imunização do nosso país.


Marcos Boulos/USP
 – A Expoepi é de fato uma das reuniões de maior importância para discutir epidemiologia e para todos os estados e municípios tomarem conhecimento de como está a situação em relação ao controle. O encontro ajuda a direcionar as políticas que nós temos que fazer e corrigir rumos para que a gente possa ter uma política mais responsável

 


Rodrigo Said – SES/MG
 – A Expoepi é um excelente espaço de encontro e compartilhamento de experiencias exitosas no campo da vigilância. É um espaço para debater diretrizes nacionais e atividades que possam ser incorporadas pelos estados e municípios. Na minha opinião, a principal contribuição é revigorar as nossas energias para que a gente possa voltar com as questões que foram discutidas aqui, especialmente as experiencias exitosas, e pensar na aplicabilidade dessas ações em nossos municípios e estados.


Dr. Jarbas Barbosa, presidente da Anvisa, e ex-Secretário da SVS – 
“É um prazer muito grande participar da 15ª edição da Expoepi. Quando fui titular da SVS organizei as primeiras edições da Mostra e participei de todas as edições. A Expoepi cresceu muito e atrai a atenção de especialistas de todo o Brasil e também do exterior por ser um espaço de troca de experiências bem sucedidas em epidemiologia”.

 

 

 

 

Debate destaca importância de integrar ações de vigilância em saúde

jun 29, 2017

A construção de uma política nacional de vigilância em saúde foi o ponto alto do debate do Painel 9 da 15° Expoepi, com moderação feita pelo secretário de Vigilância em Saúde (SVS) do Ministério da Saúde, Adeilson Cavalcante.

Participaram da discussão realizada no auditório Oswaldo Cruz o professor da Universidade de São Paulo (USP) Eliseu Alves Waldman; o assessor Marcos Franco, representando a Secretaria Executiva do Ministério da Saúde; Michele Caputo Neto, presidente do Conselho Nacional de Secretários Estaduais de Saúde (Conass); Andreia Passamani Corteletti, representando o Conselho Nacional de Secretários Municipais de Saúde (Conasems); e Ronald Santos, presidente do Conselho Nacional de Saúde (CNS).

O professor da USP destacou o papel da vigilância em saúde em diferentes períodos da História, iniciando em 1890, na Inglaterra, com a construção de um sistema de notificação do óbito, até chegar no Brasil, em 1970, com as ações de vigilância sendo incorporadas à rotina das estratégias de saúde pública.

Os representantes do Conass e do Conasems salientaram a necessidade de integrar as diversas vigilâncias em saúde existentes: sanitária, do trabalhador, ambiental e epidemiológica, além da urgência em capacitar novos profissionais para o setor e de garantir o financiamento público das ações. Marcos Franco, por sua vez, destacou a importância da construção de uma Política Nacional de Vigilância em Saúde que possa contemplar a universalidade das ações do Sistema Único de Saúde (SUS).

Falando em nome do CNS, Ronald Santos, buscou suporte no Artigo 200 da Constituição Federal para pedir o cumprimento da Carta Magna. “O Artigo 200 garante a sustentabilidade do SUS, protege os direitos dos trabalhadores e assegura equidade”. Segundo ele, no entanto, a recente medida do governo federal que congela os recursos do SUS por 20 anos e impede a realização de concursos públicos para a renovação de pessoal são um “flagrante desrespeito à Constituição”.