Brasil aposta na vacinação para o enfrentamento de doenças

jun 28, 2017 by bruno in  Sem categoria

As conquistas e os desafios para o enfrentamento das doenças imunopreveníveis ganharam destaque em painel realizado na manhã desta quarta-feira (28), na 15ª Expoepi. Ao dar boas-vindas aos presentes, a coordenadora do Programa Nacional de Imunização (PNI/SVS), Carla Domingues, salientou que é preciso pensar que modelo de vacinação queremos, após uma breve apresentação sobre os avanços do programa de imunização ao longo dos anos – como a ampliação do número de vacinas ofertadas gratuitamente e das faixas etárias contempladas.

Durante sua fala, Domingues explicou que não basta a vacina estar disponível. “É preciso assegurar a meta da cobertura vacinal. Isso é um problema nacional, ocorre em todas as regiões do Brasil”, realçou ao citar a baixa cobertura atual para a poliomielite que está em torno de 84%. “Ainda temos países endêmicos e por isso temos que vacinar. As crianças não estão comparecendo em momento oportuno para as doses de reforço”, lamentou ao comentar sobre o estrago que os movimentos anti vacina têm promovido. Segundo ela, é preciso enfrentar esse desafio e “garantir e repetir as altas coberturas vacinais que tivemos no passado”. Ela apontou como possíveis estratégias: a ampliação do horário de funcionamento dos postos de saúde, vacinação casa a casa e aos sábados e domingos.

José Cássio de Moraes, professor da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de SP, referendou a fala da coordenadora do PNI ao dizer que é preciso manter os esforços para vacinar a população, a fim de manter a eliminação de doenças que antes eram endêmicas no país. Ao citar a certificação recebida pelo Brasil de eliminação do sarampo, ele aponta que para manter esse cenário é preciso que não ocorra nenhum descuido. “O processo de vacinação contra o sarampo tem que continuar, pois é o único meio para a manutenção da eliminação da doença; já que o vírus ainda circula do continente europeu.

Mas atingir a meta de cobertura vacinal não é uma tarefa simples, conforme explicou Márcia Pivato, do Conasems, ao mencionar sua experiência na ponta, em seu município no Sul de Minas. Ela falou que em Campanha (MG) é preciso ser criativo para conseguir assegurar o acesso da população às vacinas. “Muitas vezes faltam veículos, outras faltam equipe adequada. Mas estamos trabalhando para ter nova sala de vacinação e para realização de busca ativa, por parte da equipe de Saúde da Família”, disse ao afirmar que o foco é manter o acesso a vacinação e atingir a devida cobertura vacinal.

Esse trabalho de busca ativa, por meio de equipes móveis, também foi defendido pelo professor da UnB Pedro Tauil, para assegurar a vacinação contra a febre amarela. Ele comenta que o surto que passamos atualmente foi resultado de baixa cobertura vacinal em áreas que sempre tiveram recomendação para a vacina. “Desde 1942, só temos o ciclo silvestre da doença. Mas a febre amarela não é erradicável e por isso temos que sempre manter o controle, por meio da vacinação e da vigilância”, explanou ao alertar para uma possível reurbanização da doença, a exemplo do que ocorreu no Paraguai em 2008. Entretanto, ele acredita que ainda não temos índices de infestação predial pelo Aedes aegypti altos o suficiente para que isso aconteça.

Expoepi será em junho e premiará três modalidades de iniciativas

mar 30, 2017

A 15ª edição da Mostra Nacional de Experiências Bem-Sucedidas em Epidemiologia, Prevenção e Controle de Doenças (15ª Expoepi), promovida pela Secretaria de Vigilância em Saúde, do Ministério da Saúde (SVS/MS), volta em 2017 para prestigiar mais uma vez os trabalhadores do Sistema Único de Saúde (SUS).  A 15ª Expoepi acontecerá entre os dias 27 e 30 de junho, em Brasília, e será a oportunidade para os trabalhadores e gestores do SUS trocarem informações e experiências para o aprimoramento das ações de vigilância em saúde.

Os vírus se adaptam às alterações ambientais

jun 29, 2017

A “Vigilância e resposta a emergência em saúde pública: o que enfrentamos e o que mais está por vir?” foi tema da Mesa Redonda 1 da 15° Expoepi e que mobilizou centenas de participantes no auditório máster do Centro de Convenções Ulysses Guimarães. A coordenação do debate ficou a cargo do diretor do DEVIT/SVS, João Paulo Toledo, e contou com a participação de Maria da Glória Teixeira, da Universidade Federal da Bahia (UFBA); Lívia Martins, do Instituto Evandro Chagas (IEC), e de Renato Alves, do DEVIT/SVS.

A grande produção de conhecimento advinda com a identificação da circulação do vírus Zika no Brasil e sua relação com os casos de microcefalia em bebes foi o destaque na apresentação da professora da UFBA. Maria da Glória informou que em 2014 havia no mundo apenas 147 publicações que tratavam do tema “Zika”. Em 2015/2016 essa produção científica passou para 1.797 publicações e, em 2017, até o mês de junho, foram produzidas mais 1.029 publicações. “Estamos construindo conhecimento e aprendendo mais sobre esse agravo”, disse a professora.

Renato Alves, que falou sobre a recente epidemia de febre amarela que atingiu o Brasil, observou que houve uma importante mudança no padrão de  ransmissão do vírus e também do vetor. “Muito mais primatas não humanos (PNH) morreram nessa epidemia e o vírus se dispersou com velocidade”. Alves destacou a necessidade de capacitação de pessoal para ampliar a resposta da vigilância em saúde em um país de dimensão continental.

A pesquisadora do IEC, Lívia Martins, destacou a influência das alterações climáticas na transmissão das arboviroses. De acordo com Lívia, os vírus e os vetores se adaptam rapidamente as alterações ambientais e isto faz com que os agravos à saúde possam ser propagados com mais velocidade.

A pesquisadora disse também que os mosquitos Aedes aegypti e Aedes albopictus têm condições de transmitir, além da dengue, zika, Chikungunya e febre amarela, três tipos de encefalites e a febre do Nilo, entre outros agravos. Ela salientou também que a dispersão dos vírus pode ser muito rápida graças a mobilidade das pessoas, que vão de um continente a outro em 24 horas por conta das conexões aéreas.

Mostra apresenta experiências bem-sucedidas no SUS

jun 28, 2017

Evento, que começa nesta quarta-feira (28), reúne palestras com especialistas, reuniões técnicas e exposições para trocar experiências sobre assuntos de vigilância em saúde

A troca de experiências bem-sucedidas em Epidemiologia, Prevenção e Controle de Doenças dentro do Sistema Único de Saúde (SUS) reúne, a partir dessa quarta-feira (29), em Brasília, mais de 2.500 profissionais do setor de saúde na 15ª Expoepi. Durante a mostra, que vai até sexta-feira (30), serão apresentados 782 trabalhos e experiências. Destes, serão premiados 45, entre os  mais bem-sucedidos.