A 15ª edição da Mostra Nacional de Experiências Bem-Sucedidas em Epidemiologia, Prevenção e Controle de Doenças (Expoepi) seguiu a todo vapor nesta quinta-feira (29) com novas oficinas, painéis e palestras relevantes na área da saúde. Em um desses painéis, coordenado por Dalcy de Oliveira Albuquerque, da Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS) do Ministério da Saúde, foi abordada a temática da malária, apresentando novas perspectivas e desafios para a eliminação da mesma, assim como as estratégias para o controle e detecção de surtos no Brasil.

Em geral, os objetivos dos programas de malária são identificar e tratar oportunamente os casos para interromper a transmissão, impedir a reintrodução em municípios sem ocorrência e evitar a gravidade e a letalidade da doença.

De acordo com um dos palestrantes, Carlos Frederico Campelo de Albuquerque e Melo, a intenção direta é que as pessoas não contraiam e não morram em decorrência da malária.  Afirmou, ainda, que os critérios foram simplificados, e isso contribui com os diagnósticos, que agora são mais simples.

Existem princípios básicos para fortalecer o controle da endemia: a importância da vigilância, monitoramento e avaliação; a equidade no acesso aos serviços, especialmente nas populações mais vulneráveis; e a inovação de ferramentas e processos de implementação. A Estratégia Técnica Global de Malária, que está citada no “Plano de Ação para a Eliminação da Malária”, segue cinco linhas de ação:

– Acesso universal de intervenção para controle integrado dos vetores e o diagnóstico de tratamento;

– Fortalecimento da vigilância;

– Fortalecimento dos sistemas de saúde e seguimento das investigações operativas;

– Iniciativas estratégicas de comunicação, alianças e colaborações; e

– Esforços centralizados para facilitar a eliminação da Malária e prevenir a reintrodução.

Atualmente, a doença no Brasil predomina nas áreas amazônicas. Em 2016, houve uma redução de 10% dos casos, em comparação com 2015. Mesmo com esses dados positivos, é necessário manter o assunto em pauta. A eliminação da malária não é fácil, pois é necessário levar em consideração fatores sociais, econômicos, climáticos e ambientais relevantes. Para o palestrante Cassio Roberto Leonel Peterka, da SVS, não adianta dizer como e o que fazer, o importante é trabalhar para que cada local possa desenvolver seus meios de controle. A eliminação sustentável de uma endemia precisa da construção de serviços de epidemiologia “enraizados” na comunidade.

Por fim, o caminho a ser seguido é manter o compromisso político, a alta qualidade de detecção, a realização de controle vetorial também fora do domicílio e pesquisas. Cada foco de malária deve ser investigado para determinar sua extensão e os fatores condicionantes para a transmissão local. Essas respostas favorecem o diagnostico rápido e o tratamento adequado dos casos. Além disso, a avaliação e o monitoramento promovidos pela vigilância entomológica contribuem para a resposta e a prevenção da doença.

Expoepi é reconhecida como importante evento

mar 29, 2017

A Expoepi é reconhecida como importante evento, que tem como objetivo difundir os serviços de saúde do SUS, que se destacaram pelos resultados alcançados em atividades de vigilância, prevenção e controle de doenças e agravos de importância para a Saúde Pública. Este ano, o evento espera um público de aproximadamente 2.500 participantes.

Fala dos homenageados

jun 29, 2017

 

Ana van der Linden – Essa é a minha primeira oportunidade de participar da Expoepi e me sinto lisonjeada por ter sido escolhida para receber uma homenagem e poder encontrar pessoas que se dedicam ao mesmo trabalho, mas com visões diferentes dos problemas; isso é muito interessante.

 


Amílcar Tanure
– Esse evento é um grande prestigio para a área de epidemiologia e também uma oportunidade de troca de informações e de discussões, especialmente nessa área de arboviroses, que tem me interessado muito ultimamente. Cada dia mais a gente fica mais assustado com o incremento de novos casos de dengue, zika, chikungunya, febre amarela. Então acho importantíssima essa reunião para a troca e informações e experiências.

 


Maria do Carmo de Melo
– Esse evento contribui, na minha opinião, para melhorar a saúde pública no país, uma vez que permite a troca de saberes.

 

 


Jarbas Barbosa
– A Expoepi foi pensada, quando criamos na época do Centro Nacional de Epidemiologia, para criar um momento em que técnicos da área de vigilância, prevenção e controle de doenças do Brasil inteiro, dos estados, dos municípios, pudessem intercambiar experiências, debater temas técnicos, compartilhar as boas práticas, de maneira que fizéssemos um processo de capacitação dos técnicos que atuam na linha de frente do combate a doenças, epidemias, controle de endemias, prevenção de fatores de risco, entre outros. Então creio que esse é o objetivo principal, creio que cada vez mais a Expoepi se consolida e se transforma em um evento enorme, do ponto de vista de participação, exatamente porque fala diretamente com quem está na ponta, com os trabalhadores de saúde pública que atuam na vigilância, prevenção e controle.


Volney de Magalhães Câmara:
 Para mim foi uma surpresa receber essa homenagem, pois eu recebi um telefonema avisando que eu tinha sido escolhido, então eu fiquei muito feliz, pois eu já trabalho há muitos anos com a vigilância em saúde ambiental,  aqui no Ministério da Saúde e eu trabalhei muito com a equipe da CGVAM, nós criamos vários cursos juntos e a Universidade Federal do Rio de Janeiro tem uma parceria muito forte com a CGVAM. Então a maioria dos cursos nessa área de saúde ambiental, nós participamos.  Então, sem dúvida eu me senti honrado pela importância da Expoepi. Eu já participei de algumas outras há alguns anos atrás, e a divulgação das experiências são importantes, pois você pode ter em determinadas secretarias, problemas que são iguais os de outras secretarias e muitas vezes as pessoas não tem a solução para lidar com essas questões. Então a troca, a divulgação dos trabalhos das pessoas que estão à frente da vigilância é de uma importância muito grande e para nós da Universidade é muito importante porque nós com o ensino, com a pesquisa, nós não temos essa interação direta com a ponta, então essa troca para Universidade e para as secretarias.


Adriana Melo –
 É sempre bom ser convidada para um evento como esse, ainda mais sendo homenageada como pesquisadora no Brasil, vinda do interior da Paraíba. Então esse reconhecimento é muito importante para nós, pois, na história ficam registradas as pessoas que tiveram importância, o que cada um fez. As vezes o tempo é meio ingrato com pesquisador, mas eu acho que esse ano foi diferente, quem trabalhou teve seu reconhecimento, tem muitos grupos interessantes trabalhando e mostrando o seu valor. Acho que a pesquisa no Brasil se desenvolveu muito após o Zika. O Brasil tem que aproveitar essa oportunidade além de ficar mais alerta. Foi uma tragédia, mas ao mesmo tempo mostrou a competência de pesquisadores nacionais. Os pesquisadores brasileiros mostraram do que são capazes. O Brasil tem que entender melhor essa doença, pois os vírus são sempre complexos, então, temos que aproveitar para entender essa doença e não esquecer que há mais de 3 mil crianças que foram vítimas do Zika vírus e ainda devemos a eles uma assistência melhor.

Plano Nacional pelo Fim da Tuberculose será lançado na Expoepi.

jun 09, 2017

Durante a 15ª Expoepi, que acontecerá entre os dias 28 e 30 de junho, será lançado o Plano Nacional pelo Fim da Tuberculose.  O documento irá definir os indicadores utilizados para monitorar as ações empregadas por estados e municípios na rede de atenção à saúde. A solenidade terá a presença do secretário de Vigilância em Saúde, Adeilson Cavalcante, e está prevista para acontecer no dia 29, quinta-feira, às 08h30, no Centro de Convenções Ulysses Guimarães.