As doenças negligenciadas ainda são uma agenda inconclusa no país. Dificuldades no diagnóstico e tratamento de doenças como chagas, leishmaniose, filariose e hanseníase ainda são grandes em algumas Unidades da Federação, como Tocantins e Pernambuco. Experiências desses dois estados foram trazidas para o público do décimo sétimo painel da manhã do último dia de Expoepi.

A coordenadora geral da área de hanseníase e doenças em eliminação do Ministério da Saúde, Carmelita Ribeiro Filha, falou dos desafios no enfrentamento das doenças causadas por agentes infecciosos ou parasitas consideradas endêmicas em populações de baixa renda. Entre eles, estão alguns gargalos crônicos como desenvolvimento infantil e econômico e investimento em pesquisas e medicamentos. Para Renato Alves, também do corpo técnico da Secretaria de Vigilância em Saúde, é fundamental o envolvendo de outras esferas de poder para a eliminação dessas doenças no cenário nacional, assim como sociedade e sociedade civil organizada, como Morhan – Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase, por exemplo, que tem o trabalho reconhecido na área. “Além de buscar a regionalização e alcançar o menor território possível, nem sempre delimitado pelo território municipal”, completa Alves.

Em Pernambuco, por exemplo, a filariose está não somente na capital, mas num espaço considerado núcleo da região metropolitana, bolsões de transmissão relacionados com bairros de extrema pobreza, afirma Alexandre Menezes, da secretaria estadual de saúde do estado. Tanto para Menezes quanto para Alves, é necessário se debruçar nas estratégias definidas internacionalmente de eliminação.

Porém, algumas experiências exitosas pretendem mudar o cenário preocupante.

No Tocantins, por exemplo, a integração entre atenção e vigilância à saúde tem apresentado resultados satisfatórios. Por meio da capacitação dos profissionais de saúde para diagnóstico, a prevenção é mais assertiva uma vez identificado locais mais suscetíveis a hanseníase, por exemplo. Com essa estratégia, espera-se que, até 2020, a doença esteja eliminada no estado, afirma Whisllay Bastos, da secretaria municipal de saúde da capital do estado, Palmas.

Expoepi é reconhecida como importante evento

mar 29, 2017

A Expoepi é reconhecida como importante evento, que tem como objetivo difundir os serviços de saúde do SUS, que se destacaram pelos resultados alcançados em atividades de vigilância, prevenção e controle de doenças e agravos de importância para a Saúde Pública. Este ano, o evento espera um público de aproximadamente 2.500 participantes.

Expoepi irá homenagear oito personalidades da saúde pública

jun 12, 2017

A cada edição a Mostra Nacional de Experiências Bem-Sucedidas em Epidemiologia, Prevenção e Controle de Doenças presta homenagens a personalidades de destaque que fortalecem o Sistema Único de Saúde (SUS). Na 15ª edição da Expoepi, evento promovido pela Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS), serão homenageados oito especialistas – um a mais que a última edição, em 2014. São representantes da saúde que merecem todo o respeito e prestigio por seus trabalhos desenvolvidos ao longo de suas carreiras.

PNI: Alimentação de sistema de dados ainda é obstáculo

jun 27, 2017

Durante a oficina “O PNI e as estratégias de identificação de populações vulneráveis”, durante a 15ª Expoepi, os participantes puderam se aprofundar sobre alimentação e funcionamento dos sistemas de informação para monitoramento da situação vacinal do país, assim como estatísticas vitais. Essas são ferramentas online que possibilitam identificar possíveis surtos e municípios em situação de risco. O Ministério da Saúde vem aprimorando os sistemas de integração de dados entre estados e municípios para, assim, traçar as estratégias assertivas de vigilância em saúde levando em conta as especificidades do Brasil continental.

Abrindo a oficina, a coordenadora do Programa Nacional de Imunização, Dra. Carla Domingues, falou da importância do monitoramento de dados. “A qualidade dos dados que recebemos dos estados e municípios é muito importante”, ressaltou. Ela se refere às diversas variáveis que o PNI considera para a coleta de dados que traçam a situação vacinal de cada ente federado. Porém, como lembrou Antônia Teixeira, palestrante do corpo técnico do PNI, “a quantidade e qualidade dos dados pode melhorar ou piorar uma situação se não é feito adequadamente”. Teixeira falou ainda sobre a importância da aplicação correta dos investimentos financeiros no Programa para a compra de computadores e capacitação de profissionais na ponta. Segundo ela, a sistematização de dados ainda é algo novo para muitos profissionais da ponta, porém, é imprescindível.

Ainda é uma realidade muitos municípios brasileiros não terem capacitação para oferecer um relatório satisfatório para a elaboração das ações de vigilância. Rui Braz, falando da classificação de risco de transmissão de doenças imunopreviníveis, lembrou que entre as categorias elencadas para os indicadores de risco está a “sem informação” – além da baixa cobertura vacinal e a cobertura adequada. Ou seja, um município “relata” que nenhum indivíduo foi vacinado naquele território. Porém, muitas vezes, o que aconteceu foi o não preenchimento do sistema que coleta esse tipo de informação. Por isso, Marcelo Chaves, do corpo técnico do Programa Nacional de Imunização, explicou com detalhes como usar os sistemas para consulta de estatísticas vitais e nascidos vivos elaborado pelo Datasus do Ministério da Saúde: Sistema de Informação Sobre Mortalidade – SIM e Sistema de Informação de Nascidos Vivos – SINASC. Chaves também detalhou o SIPNI – Sistema de Informação do Programa Nacional de Imunização, uma ferramenta interna, utilizada a partir de senha e login, para atualização de dados vacinais alimentado por estados e municípios e posteriormente consolidados pelo Ministério da Saúde.

O PNI é uma estratégia de vigilância que vem apresentando em mais de quarenta anos de criação resultados positivos e vem investindo no aprimoramento de ferramentas de tecnologia para a coleta de dados com objetivo de continuar sua prerrogativa de sucesso, mantendo coberturas vacinais altas que possibilitaram a eliminação do sarampo no país, por exemplo, e a intensificação de ações em casos de coberturas baixas.