O Brasil dispõe de normas nacionais e estruturas que possibilitam a coleta e análise de informações sobre os Eventos em Saúde Pública (ESP), entre as três esferas de gestão do SUS. Entre esses eventos monitorados estão as emergências. Por este motivo, os avanços e desafios para a vigilância e resposta foram temas de discussão neste último dia (30) da 15ª Expoepi.

“As informações recebidas, a partir da vigilância baseada em evento, devem ser rapidamente avaliadas quanto ao risco que o evento representa para a saúde pública. Além disso, a resposta deve ser oportuna e adequada”, conforme disse o coordenador geral de Vigilância e Resposta às Emergências em Saúde Pública (SVS/MS), Márcio Garcia, ao apresentar o trabalho que vem sendo realizado em nível nacional para detecção e monitoramento, como: comunicação entre redes; detecção digital de doenças – mídias sociais – plantão, vigilância participativa e articulações com outros setores. Segundo Garcia, o trabalho tem a finalidade de fomentar a captação de notificações, mineração, manejo e análise de dados e informações estratégicas, a fim de direcionar ações de resposta.

Wanderson Oliveira, especialista da Fiocruz/BA, mostrou que muitas vezes não é tão fácil ter uma resposta. Em sua apresentação, sobre as ações conjuntas no enfrentamento da emergência da microcefalia no Brasil – trabalho no qual esteve à frente na época, ele realçou o desafio que foi criar as diretrizes que deveriam ser seguidas pela vigilância e assistência, enquanto o volume de casos ampliava rapidamente em estados do Nordeste. “Não tínhamos um manual para seguir, não tínhamos informações robustas. Precisamos nos articular com profissionais que atuavam nos estados e municípios com registro de casos para que pudéssemos organizar o pensamento para tomadas de decisão, já que não contávamos com nenhuma base científica”, relatou Oliveira ao comentar que nos 15 anos que ficou no Ministério da Saúde nunca tinha vivido nada parecido com esse surto de zika e microcefalia. Para ele ainda falta concluir a avaliação da resposta com uma atividade que envolva todos os setores que participaram e “documentar as oportunidades, ameaças, fortalezas e fraquezas no enfrentamento dessa emergência”.

E foi uma grande emergência ocorrida neste primeiro semestre de 2017 o tema abordado pelo subsecretário de Vigilância em Saúde de MG, Rodrigo Said. Ao apresentar as ações para o enfrentamento da epidemia de febre amarela no estado Said alertou que as regiões que mais registraram casos da doença – leste e sul – registravam baixa cobertura vacinal.  Com 1.147 casos notificados em 101 municípios mineiros, Said apontou algumas ações desenvolvidas: distribuição de imunobiológicos por via aérea, contratação de vacinadores e motoristas para dar suporte, bem como busca ativa de grupos especiais – comunidades quilombolas, indígenas e residentes de assentamentos e áreas rurais. “Tivemos que atuar dentro dos municípios, pois os mais afetados foram localidades pequenas, com até 20 mil habitantes. Fomos a campo para fortalecer a resposta”, afirmou ao destacar que contou com a parceria de outras secretarias e que a ação teve sucesso e registrou grande redução na internação após a campanha de vacinação realizada.

Buscar parcerias é fundamental “para uma resposta efetiva, correta e a tempo”, de acordo com a palestrante Ana Riviere Cinnamond, que atua na OPAS/ Peru. Cinnamond apresentou a estrutura de resposta da Organização Pan-Americana de Saúde às emergências em Saúde Pública nas Américas e salientou que toda detecção deve ser baseada em evidência. “Uma vez confirmado um evento é preciso identificar o patógeno para organizar a resposta técnica e operacional”, comentou ao citar algumas emergências que estão em monitoramento, como: terremoto no Equador, chuva no peru, desnutrição na Guatemala e febre amarela no Brasil. Cinnamond ainda lembrou a importância de registar, documentar, os avanços em nível local e nacional, para que se possa aproveitar de conhecimento baseado em experiências anteriores.

Violência contra a menina e a mulher: não passarão

jun 28, 2017

Com o tema “Violência contra mulheres, crianças e adolescentes no Brasil” o painel da manhã do segundo dia da 15a Expoepi trouxe detalhes do trabalho de vigilância de violência contra mulheres e colocou luz sobre os desafios ainda grandes sobre o problema.

Personalidades na Expoepi

jun 27, 2017

Adeilson Cavalcante – Secretário da SVS – Estou muito feliz em participar da organização de mais uma edição da Expoepi, um evento consagrado na comunidade científica. É uma honra receber colegas do setor saúde de todo o Brasil. Desejo que todos aproveitem ao máximo o evento, adquiram novos conhecimentos e levem para suas cidades uma boa recordação da acolhida que tiveram em Brasília.

 


Otaliba Libânio/UFGO: Estava sentindo falta, após dois anos sem o evento. Acredito que em termos de vigilância no Brasil é o principal evento que existe. E a possibilidade de troca de novos conhecimentos que estão sendo produzidos.

 

 


Deborah Malta/UFMG:
 A Expoepi é a possibilidade do encontro com estados, municípios e academia para a gente aprender coisas novas, saber o que está ocorrendo na epidemiologia dos serviços. Para mim é sempre um grande prazer participar da Expoepi, o evento se renova a cada edição.

 

 


João Paulo Toledo/ Devit/SVS
 – Essa é a 15ª Expoepi, a última foi em 2015, e a expectativa é uma boa troca de experiências entre os gestores, profissionais de saúde e as comunidades de práticas, especialmente nos temas de relevância de vigilância em saúde pública, como: vacinação, arboviroses, zoonoses, febre amarela e vigilâncias ambiental e de saúde do trabalhador.

 


Carla Domingues –  Coordenadora do PNI/SVS/MS
 – Na 15ª Expoepi o Programa Nacional de Imunizações está com uma oficina para discutir os avanços do PNI e as estratégias de vacinação da população vulnerável. A importância dessa oficina é darmos a oportunidade para gestores, municipais e estaduais, identificarem os grupos que estão tendo maior ou menor cobertura vacinal e principalmente pensar em estratégias para se buscar essa população. Então com este um espaço dentro da Expoepi, podemos avaliar todas as ações de imunização do nosso país.


Marcos Boulos/USP
 – A Expoepi é de fato uma das reuniões de maior importância para discutir epidemiologia e para todos os estados e municípios tomarem conhecimento de como está a situação em relação ao controle. O encontro ajuda a direcionar as políticas que nós temos que fazer e corrigir rumos para que a gente possa ter uma política mais responsável

 


Rodrigo Said – SES/MG
 – A Expoepi é um excelente espaço de encontro e compartilhamento de experiencias exitosas no campo da vigilância. É um espaço para debater diretrizes nacionais e atividades que possam ser incorporadas pelos estados e municípios. Na minha opinião, a principal contribuição é revigorar as nossas energias para que a gente possa voltar com as questões que foram discutidas aqui, especialmente as experiencias exitosas, e pensar na aplicabilidade dessas ações em nossos municípios e estados.


Dr. Jarbas Barbosa, presidente da Anvisa, e ex-Secretário da SVS – 
“É um prazer muito grande participar da 15ª edição da Expoepi. Quando fui titular da SVS organizei as primeiras edições da Mostra e participei de todas as edições. A Expoepi cresceu muito e atrai a atenção de especialistas de todo o Brasil e também do exterior por ser um espaço de troca de experiências bem sucedidas em epidemiologia”.

 

 

 

 

PRÊMIOS

jun 23, 2016

Os prêmios desta edição, regulamentados por edital público, totalizam o montante de R$ 969.000,00, e para todas as categorias previstas serão premiados os três primeiros colocados.  Serão premiadas as experiências bem-sucedidas dos serviços de saúde; os trabalhos técnico-científicos no âmbito de programas de pós-graduação dos profissionais que atuam no SUS; e experiências bem-sucedidas conduzidas pelos movimentos sociais que contribuíram para o aprimoramento das ações da vigilância em saúde.