Discutir estratégias para o fortalecimento da oferta e da utilização da camisinha para mulheres como forma de prevenção às Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST), HIV/aids e hepatites virais foi o objetivo da oficina “Preservativo feminino e sua importância no âmbito da Prevenção Combinada”, no primeiro dia da 15ª Expoepi, na terça-feira (27). Coordenada pela consultora da Coordenação de Prevenção e Articulação Social do Departamento de Vigilância, Prevenção e Controle das IST, do HIV/Aids e das Hepatites Virais (CPAS/DIAHV) Elisiane Pasini, a oficina contou com 60 participantes entre profissionais de saúde e representantes de secretarias municipais e estaduais de saúde do Rio de Janeiro, Minas Gerais, Ceará, Tocantins, Paraiba, São Paulo, Pernambuco e Distrito Federal.

“A resistência ao uso do preservativo feminino é comum no Brasil e no mundo. Nossa obrigação é levar informação às pessoas e ofertar o insumo em grande quantidade”, disse Elisiane Pasini. “Ainda há uma cultura de que a mulher não possa tocar seu corpo, reconhece-lo. Por isso, ainda há tabus a serem derrubados e fazer com que o uso do preservativo feminino não seja visto como algo pejorativo. É preciso sexualizar a prevenção, dizer tanto às mulheres como aos homens que o preservativo feminino é bom e gostoso”, destacou. No Brasil, o preservativo feminino é distribuído desde 2000 no sistema público de saúde. Em 2016, foram distribuídos 10 milhões de unidades em todo o país. De janeiro a junho de 2017, já foram distribuídos pouco mais de 5 milhões de camisinhas femininas em todo o território nacional.

Apesar da disponibilidade em todas as unidades de saúde, ainda há barreiras tais como a falta de informação sobre a oferta do produto. “Apesar de o Brasil ser o único país no mundo a oferecer gratuitamente o preservativo feminino, ainda há resistência até mesmo por parte de profissionais de saúde”, disse Elisiane Pasini.
Durante a oficina, foram realizadas atividades interativas com os participantes os quais eram questionados se conheciam o preservativo feminino, se já tinham feito uso dele e se alguém os ofereceu o insumo. “Além da pouca divulgação sobre o preservativo, ainda pesa contra o fato de não ser comercializado em farmácias”, reclamou um dos participantes, que afirma usar o preservativo feminino com sua esposa.

Para a diretora do DIAHV, Adele Benzaken, apesar do preservativo feminino circular há quase 20 anos, houve um desleixo por parte dos serviços de saúde. “Com o passar dos anos, parece que esqueceram dessa forma de prevenção. A informação precisa voltar aos serviços de saúde pois ninguém vai utilizar o preservativo feminino se não houver estímulo e informação”, afirmou. “O preservativo feminino precisa estar no dia a dia das mulheres e dos homens. Não pode ser visto com desconfiança”, destacou a diretora.

Prevenção – O uso dos preservativos masculino e feminino e do gel lubrificante é uma das ações inclusas na Mandala da Prevenção Combinada, abordagem adotada pelo Ministério da Saúde para falar de prevenção ao HIV. As outras abordagens são a redução de danos; o diagnóstico e tratamento das pessoas com IST e hepatites virais; tratamento a todas as pessoas vivendo com HIV/aids; testagem regular para o HIV, outras IST e hepatites virais; a Profilaxia Pré-Exposição (PrEP); Profilaxia Pós-Exposição (PEP); prevenção da transmissão vertical; imunização para hepatite B e HPV.

Emergências em Saúde Pública marcam o último dia da 15ª Expoepi

jun 30, 2017

O Brasil dispõe de normas nacionais e estruturas que possibilitam a coleta e análise de informações sobre os Eventos em Saúde Pública (ESP), entre as três esferas de gestão do SUS. Entre esses eventos monitorados estão as emergências. Por este motivo, os avanços e desafios para a vigilância e resposta foram temas de discussão neste último dia (30) da 15ª Expoepi.

“As informações recebidas, a partir da vigilância baseada em evento, devem ser rapidamente avaliadas quanto ao risco que o evento representa para a saúde pública. Além disso, a resposta deve ser oportuna e adequada”, conforme disse o coordenador geral de Vigilância e Resposta às Emergências em Saúde Pública (SVS/MS), Márcio Garcia, ao apresentar o trabalho que vem sendo realizado em nível nacional para detecção e monitoramento, como: comunicação entre redes; detecção digital de doenças – mídias sociais – plantão, vigilância participativa e articulações com outros setores. Segundo Garcia, o trabalho tem a finalidade de fomentar a captação de notificações, mineração, manejo e análise de dados e informações estratégicas, a fim de direcionar ações de resposta.

Wanderson Oliveira, especialista da Fiocruz/BA, mostrou que muitas vezes não é tão fácil ter uma resposta. Em sua apresentação, sobre as ações conjuntas no enfrentamento da emergência da microcefalia no Brasil – trabalho no qual esteve à frente na época, ele realçou o desafio que foi criar as diretrizes que deveriam ser seguidas pela vigilância e assistência, enquanto o volume de casos ampliava rapidamente em estados do Nordeste. “Não tínhamos um manual para seguir, não tínhamos informações robustas. Precisamos nos articular com profissionais que atuavam nos estados e municípios com registro de casos para que pudéssemos organizar o pensamento para tomadas de decisão, já que não contávamos com nenhuma base científica”, relatou Oliveira ao comentar que nos 15 anos que ficou no Ministério da Saúde nunca tinha vivido nada parecido com esse surto de zika e microcefalia. Para ele ainda falta concluir a avaliação da resposta com uma atividade que envolva todos os setores que participaram e “documentar as oportunidades, ameaças, fortalezas e fraquezas no enfrentamento dessa emergência”.

E foi uma grande emergência ocorrida neste primeiro semestre de 2017 o tema abordado pelo subsecretário de Vigilância em Saúde de MG, Rodrigo Said. Ao apresentar as ações para o enfrentamento da epidemia de febre amarela no estado Said alertou que as regiões que mais registraram casos da doença – leste e sul – registravam baixa cobertura vacinal.  Com 1.147 casos notificados em 101 municípios mineiros, Said apontou algumas ações desenvolvidas: distribuição de imunobiológicos por via aérea, contratação de vacinadores e motoristas para dar suporte, bem como busca ativa de grupos especiais – comunidades quilombolas, indígenas e residentes de assentamentos e áreas rurais. “Tivemos que atuar dentro dos municípios, pois os mais afetados foram localidades pequenas, com até 20 mil habitantes. Fomos a campo para fortalecer a resposta”, afirmou ao destacar que contou com a parceria de outras secretarias e que a ação teve sucesso e registrou grande redução na internação após a campanha de vacinação realizada.

Buscar parcerias é fundamental “para uma resposta efetiva, correta e a tempo”, de acordo com a palestrante Ana Riviere Cinnamond, que atua na OPAS/ Peru. Cinnamond apresentou a estrutura de resposta da Organização Pan-Americana de Saúde às emergências em Saúde Pública nas Américas e salientou que toda detecção deve ser baseada em evidência. “Uma vez confirmado um evento é preciso identificar o patógeno para organizar a resposta técnica e operacional”, comentou ao citar algumas emergências que estão em monitoramento, como: terremoto no Equador, chuva no peru, desnutrição na Guatemala e febre amarela no Brasil. Cinnamond ainda lembrou a importância de registar, documentar, os avanços em nível local e nacional, para que se possa aproveitar de conhecimento baseado em experiências anteriores.

Expoepi: Atualização técnica e capacitação dos profissionais

jun 23, 2016

Criada em 2001, a Mostra promove a atualização técnica e a capacitação dos profissionais que atuam em diversas frentes da vigilância em saúde, como a prevenção e controle das doenças transmissíveis, resposta à emergência de importância para a Saúde Pública, vigilância das doenças crônicas e agravos  não transmissíveis, vigilância em saúde ambiental e saúde do trabalhador. Ao longo de sua história, já foram quase  seis mil trabalhos submetidos, com 182 experiências premiadas e mais de 15 mil participantes nas edições do evento. Tudo isso para prestigiar o trabalho de quem atua nos serviços promovendo a saúde e tornando o SUS cada vez mais forte.

Violência contra a menina e a mulher: não passarão

jun 28, 2017

Com o tema “Violência contra mulheres, crianças e adolescentes no Brasil” o painel da manhã do segundo dia da 15a Expoepi trouxe detalhes do trabalho de vigilância de violência contra mulheres e colocou luz sobre os desafios ainda grandes sobre o problema.