Vigilância do óbito: metas, desafios e experiências exitosas

jun 30, 2017 by bruno in  Sem categoria

O décimo terceiro painel da 15a Expoepi discutiu “Vigilância do óbito: desafios e experiências exitosas”. O trabalho para qualificação da notificação do óbito, assim como as metas mundiais de óbito materno e infantil foram os pontos centrais da discussão.

De acordo com a parâmetros internacionais, o Brasil se encontra com quatro estrelas quanto a qualidade do dado coletado que indica a causa de morte do indivíduo. Desde 1980, o Brasil tem apresentado gradativa melhora nesse aspecto, ainda que as diferenças entre as unidades da federação sejam grandes. Segundo Philip Setel, da Bloomberg Foundation dos Estados Unidos, os “garbage codes” e causas mal definidas demandam busca ativa para definições mais conclusivas. O projeto da Fundação para melhoria de dados para a saúde prevê ainda a autópsia verbal, o que confere qualidade quanto à vigilância do óbito. Em alguns territórios, como as Ilhas Salomão, no  Pacífico, é necessário a interlocução com com igrejas, por exemplo, para a coleta de dados, uma vez que em algumas culturas essas instituições são o único canal de confiança entre vigilância e população. Por isso, Satel defende que a capacitação de pessoal é imprescindível para a coleta de dados, além da informatização dos mesmo.

No Brasil, o SIM – Sistema de Informação de Mortalidade, do Ministério da Saúde, criado há aproximadamente quarenta anos, tem alcançado mais territórios e, por meio da revisão de dados, observa-se queda nas causas mal definidas. Melhoria que foi importante para traçar estratégias no âmbito da epidemiologia durante os recentes surtos de Zika e Febre Amarela. Maria de Fátima Marinho de Souza, da Secretaria de Vigilância em Saúde, falou ainda da necessária interlocução, no Brasil com IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), Previdência Social e Registro Civil para o cruzamento de dados.  Marinho ainda falou das dificuldades encontradas no atendimento e Instituto Médico Legal para a notificação dos dados de mortalidade. Marinho mostrou exemplos de dados que poderiam refletir nos números de acidentes de trabalho, por exemplo, mas são apenas relatados com descrição da lesão, sem uma vigilância mais apurada. Casos assim, podem influenciar o erro quanto a estratégia de políticas públicas.

No encontro, Denise Porto, também do corpo técnico do Ministério da Saúde, mostrou os avanços e dificuldades do Brasil quanto a mortalidade materna e infantil, dentro das metas do  Objetivo de Desenvolvimento do Milênio e Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, traçados pelas Nações Unidas. A taxa de mortalidade infantil (menores de um ano) por mil nascidos vivos passou de 29,7, em 2000, para 15,6, em 2010. Essa taxa é menor que a meta prevista para 2015, de 15,7 por mil nascidos vivos. A queda mais acentuada ocorreu na região Norte,  que ainda apresenta a taxa mais elevada do Brasil:18,5 por mil nascidos vivos.

Já no caso da mortalidade materna, o Brasil não alcançou a meta de 35 óbitos por 100 mil nascidos vivos em 2015. Ficando em 60. Porém, alguns estados mostram realidade diferente da média Brasil, como é o caso do Rio Grande do Sul. Da Secretaria de Estado da Saúde, Eleonora Walcher relata que, buscando entender in loco por meio de busca ativa os problemas que ocasionaram mortes evitáveis e fortalecendo as estratégias baseadas na região de Saúde, o estado está dentro da meta. Walcher ainda relatou as batalhas políticas necessárias para diagnosticar e tratar problemas no atendimento e na estrutura dos hospitais. “Não dá para ficar em cima do muro”, defende.

Fala dos homenageados

jun 29, 2017

 

Ana van der Linden – Essa é a minha primeira oportunidade de participar da Expoepi e me sinto lisonjeada por ter sido escolhida para receber uma homenagem e poder encontrar pessoas que se dedicam ao mesmo trabalho, mas com visões diferentes dos problemas; isso é muito interessante.

 


Amílcar Tanure
– Esse evento é um grande prestigio para a área de epidemiologia e também uma oportunidade de troca de informações e de discussões, especialmente nessa área de arboviroses, que tem me interessado muito ultimamente. Cada dia mais a gente fica mais assustado com o incremento de novos casos de dengue, zika, chikungunya, febre amarela. Então acho importantíssima essa reunião para a troca e informações e experiências.

 


Maria do Carmo de Melo
– Esse evento contribui, na minha opinião, para melhorar a saúde pública no país, uma vez que permite a troca de saberes.

 

 


Jarbas Barbosa
– A Expoepi foi pensada, quando criamos na época do Centro Nacional de Epidemiologia, para criar um momento em que técnicos da área de vigilância, prevenção e controle de doenças do Brasil inteiro, dos estados, dos municípios, pudessem intercambiar experiências, debater temas técnicos, compartilhar as boas práticas, de maneira que fizéssemos um processo de capacitação dos técnicos que atuam na linha de frente do combate a doenças, epidemias, controle de endemias, prevenção de fatores de risco, entre outros. Então creio que esse é o objetivo principal, creio que cada vez mais a Expoepi se consolida e se transforma em um evento enorme, do ponto de vista de participação, exatamente porque fala diretamente com quem está na ponta, com os trabalhadores de saúde pública que atuam na vigilância, prevenção e controle.


Volney de Magalhães Câmara:
 Para mim foi uma surpresa receber essa homenagem, pois eu recebi um telefonema avisando que eu tinha sido escolhido, então eu fiquei muito feliz, pois eu já trabalho há muitos anos com a vigilância em saúde ambiental,  aqui no Ministério da Saúde e eu trabalhei muito com a equipe da CGVAM, nós criamos vários cursos juntos e a Universidade Federal do Rio de Janeiro tem uma parceria muito forte com a CGVAM. Então a maioria dos cursos nessa área de saúde ambiental, nós participamos.  Então, sem dúvida eu me senti honrado pela importância da Expoepi. Eu já participei de algumas outras há alguns anos atrás, e a divulgação das experiências são importantes, pois você pode ter em determinadas secretarias, problemas que são iguais os de outras secretarias e muitas vezes as pessoas não tem a solução para lidar com essas questões. Então a troca, a divulgação dos trabalhos das pessoas que estão à frente da vigilância é de uma importância muito grande e para nós da Universidade é muito importante porque nós com o ensino, com a pesquisa, nós não temos essa interação direta com a ponta, então essa troca para Universidade e para as secretarias.


Adriana Melo –
 É sempre bom ser convidada para um evento como esse, ainda mais sendo homenageada como pesquisadora no Brasil, vinda do interior da Paraíba. Então esse reconhecimento é muito importante para nós, pois, na história ficam registradas as pessoas que tiveram importância, o que cada um fez. As vezes o tempo é meio ingrato com pesquisador, mas eu acho que esse ano foi diferente, quem trabalhou teve seu reconhecimento, tem muitos grupos interessantes trabalhando e mostrando o seu valor. Acho que a pesquisa no Brasil se desenvolveu muito após o Zika. O Brasil tem que aproveitar essa oportunidade além de ficar mais alerta. Foi uma tragédia, mas ao mesmo tempo mostrou a competência de pesquisadores nacionais. Os pesquisadores brasileiros mostraram do que são capazes. O Brasil tem que entender melhor essa doença, pois os vírus são sempre complexos, então, temos que aproveitar para entender essa doença e não esquecer que há mais de 3 mil crianças que foram vítimas do Zika vírus e ainda devemos a eles uma assistência melhor.

Os vírus se adaptam às alterações ambientais

jun 29, 2017

A “Vigilância e resposta a emergência em saúde pública: o que enfrentamos e o que mais está por vir?” foi tema da Mesa Redonda 1 da 15° Expoepi e que mobilizou centenas de participantes no auditório máster do Centro de Convenções Ulysses Guimarães. A coordenação do debate ficou a cargo do diretor do DEVIT/SVS, João Paulo Toledo, e contou com a participação de Maria da Glória Teixeira, da Universidade Federal da Bahia (UFBA); Lívia Martins, do Instituto Evandro Chagas (IEC), e de Renato Alves, do DEVIT/SVS.

A grande produção de conhecimento advinda com a identificação da circulação do vírus Zika no Brasil e sua relação com os casos de microcefalia em bebes foi o destaque na apresentação da professora da UFBA. Maria da Glória informou que em 2014 havia no mundo apenas 147 publicações que tratavam do tema “Zika”. Em 2015/2016 essa produção científica passou para 1.797 publicações e, em 2017, até o mês de junho, foram produzidas mais 1.029 publicações. “Estamos construindo conhecimento e aprendendo mais sobre esse agravo”, disse a professora.

Renato Alves, que falou sobre a recente epidemia de febre amarela que atingiu o Brasil, observou que houve uma importante mudança no padrão de  ransmissão do vírus e também do vetor. “Muito mais primatas não humanos (PNH) morreram nessa epidemia e o vírus se dispersou com velocidade”. Alves destacou a necessidade de capacitação de pessoal para ampliar a resposta da vigilância em saúde em um país de dimensão continental.

A pesquisadora do IEC, Lívia Martins, destacou a influência das alterações climáticas na transmissão das arboviroses. De acordo com Lívia, os vírus e os vetores se adaptam rapidamente as alterações ambientais e isto faz com que os agravos à saúde possam ser propagados com mais velocidade.

A pesquisadora disse também que os mosquitos Aedes aegypti e Aedes albopictus têm condições de transmitir, além da dengue, zika, Chikungunya e febre amarela, três tipos de encefalites e a febre do Nilo, entre outros agravos. Ela salientou também que a dispersão dos vírus pode ser muito rápida graças a mobilidade das pessoas, que vão de um continente a outro em 24 horas por conta das conexões aéreas.

Vigilância do óbito: metas, desafios e experiências exitosas

jun 30, 2017

O décimo terceiro painel da 15a Expoepi discutiu “Vigilância do óbito: desafios e experiências exitosas”. O trabalho para qualificação da notificação do óbito, assim como as metas mundiais de óbito materno e infantil foram os pontos centrais da discussão.

De acordo com a parâmetros internacionais, o Brasil se encontra com quatro estrelas quanto a qualidade do dado coletado que indica a causa de morte do indivíduo. Desde 1980, o Brasil tem apresentado gradativa melhora nesse aspecto, ainda que as diferenças entre as unidades da federação sejam grandes. Segundo Philip Setel, da Bloomberg Foundation dos Estados Unidos, os “garbage codes” e causas mal definidas demandam busca ativa para definições mais conclusivas. O projeto da Fundação para melhoria de dados para a saúde prevê ainda a autópsia verbal, o que confere qualidade quanto à vigilância do óbito. Em alguns territórios, como as Ilhas Salomão, no  Pacífico, é necessário a interlocução com com igrejas, por exemplo, para a coleta de dados, uma vez que em algumas culturas essas instituições são o único canal de confiança entre vigilância e população. Por isso, Satel defende que a capacitação de pessoal é imprescindível para a coleta de dados, além da informatização dos mesmo.

No Brasil, o SIM – Sistema de Informação de Mortalidade, do Ministério da Saúde, criado há aproximadamente quarenta anos, tem alcançado mais territórios e, por meio da revisão de dados, observa-se queda nas causas mal definidas. Melhoria que foi importante para traçar estratégias no âmbito da epidemiologia durante os recentes surtos de Zika e Febre Amarela. Maria de Fátima Marinho de Souza, da Secretaria de Vigilância em Saúde, falou ainda da necessária interlocução, no Brasil com IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), Previdência Social e Registro Civil para o cruzamento de dados.  Marinho ainda falou das dificuldades encontradas no atendimento e Instituto Médico Legal para a notificação dos dados de mortalidade. Marinho mostrou exemplos de dados que poderiam refletir nos números de acidentes de trabalho, por exemplo, mas são apenas relatados com descrição da lesão, sem uma vigilância mais apurada. Casos assim, podem influenciar o erro quanto a estratégia de políticas públicas.

No encontro, Denise Porto, também do corpo técnico do Ministério da Saúde,

mostrou os avanços e dificuldades do Brasil quanto a mortalidade materna e infantil, dentro das metas do  Objetivo de Desenvolvimento do Milênio e Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, traçados pelas Nações Unidas. A taxa de mortalidade infantil (menores de um ano) por mil nascidos vivos passou de 29,7, em 2000, para 15,6, em 2010. Essa taxa é menor que a meta prevista para 2015, de 15,7 por mil nascidos vivos. A queda mais acentuada ocorreu na região Norte,  que ainda apresenta a taxa mais elevada do Brasil:18,5 por mil nascidos vivos.

Já no caso da mortalidade materna, o Brasil não alcançou a meta de 35 óbitos por 100 mil nascidos vivos em 2015. Ficando em 60. Porém, alguns estados mostram realidade diferente da média Brasil, como é o caso do Rio Grande do Sul. Da Secretaria de Estado da Saúde, Eleonora Walcher relata que, buscando entender in loco por meio de busca ativa os problemas que ocasionaram mortes evitáveis e fortalecendo as estratégias baseadas na região de Saúde, o estado está dentro da meta. Walcher ainda relatou as batalhas políticas necessárias para diagnosticar e tratar problemas no atendimento e na estrutura dos hospitais. “Não dá para ficar em cima do muro”, defende.